domingo, 26 de junho de 2005

Em versos vazios

Sentei para escrever alguma coisa
talvez um verso
ou uma poesia completa.
Mas me vi diante do branco
da inexistência de uma idéia
da palidez das cores do meu coração.
Então me lembrei do nada
e de ninguém também.
Ah! Quer saber?
Lembrei de mim, porém
um alguém vazio de realizações perfeitas.
Um alguém refém
refém dos sonhos
das ilusões
dos sabores amargos da vida.
Então fiquei triste,
sozinha,
amarga.
Não escrevi nada.
Mas um nada diferente daquele que imaginei no começo.
Saí do quarto emburrada
Quero um chocolate!!
Quero um Chocolate!! - Gritei.
Mas ao abrir armário, concluí: ele está vazio também!

terça-feira, 21 de junho de 2005

Na praia, ao luar, sem solidão - tudo perfeito!

Aquele fim de tarde começava a me entediar.
Larguei depressa meus afazeres - já estão todos atrasados mesmo. O que há de se fazer? Deixa pra amanhã - pensei.
Peguei o primeiro ônibus que vi pela frente. Só sabia que ele passava próximo à praia.
Era a 1ª noite de Lua Cheia. Noite perfeita para relaxar.
Tirei o casaco, pois, apesar do frio, queria sentir a maresia tocar meu corpo. A brisa estava completamente gelada, mas eu precisava congelar meu ânimo. Andava meio agitado.
Procurei entre os quiosques esparsos se havia algum aberto. Minha sorte não estava comigo. Avistei então um velho senhor que - não sei por que lá motivos -caminhava desacreditado e muito mais desanimado do que eu pelo calçadão, vendendo cocos - ou tentado fazê-lo.
Meti a mão no bolso e percebi que tinha esquecido minha carteira em cima da mesa, próxima à bolsa que ficara esquecida no escritório - Puta que pariu! - Saí tão displicente que nem percebi que deixei tudo para trás, inclusive meus documentos. Daí me lembrei
de uma música que ouvia quando criança: "Caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento... eu vou" - de quem é mesmo??
Ahá! Dois vales e duas moedas de R$ 1,00 - Agora estou com sorte - pensei.
Achei um absurdo gastar minhas únicas moedas com um coco mixuruca e sem doce, mas entreguei a quantia ao velho e caminhei lentamente em direção ao mar.
Senti meus pés formigarem quando pisei na areia gelada, mas gostei da sensação de relaxamento que aquele momento único - dentro de cinco anos - me proporcionava. Fazia tempo que eu não sabia o que era sentir os gãozinhos entrarem no meio dos meus dedos.
E então fiquei ali a admirar o mar. Esperava ansiosamente o barulho da lua surgindo atrás do fim do mundo. Foram duas horas de expectativa, mas que pareceram passar como um trovão. Enquanto isso me apegava à lembranças da infância, dá época em que eu era feliz.
Até que... Lá estava ela. Linda. Toda redonda e brilhante a me olhar. Senti uma sensação de complemento. O vazio que há tempos morava em mim, aos poucos foi sumindo. Pois estava eu, como há muito não me encontrava: Cheio de luz e de esperança. Naquela praia, ao luar, por um instante não me senti sozinho. Pelo contrário: me senti tão completo como quando criança.
Respirei fundo. Senti novamente o cheio do mar. Já era tarde. Recoloquei meu casaco, e resolvi ir buscar minhas coisas. Não poderia permanecer muito tempo cheio somente de minhas sensações.
Amanhã a realidade me reencontraria, e os vazios do mundo voltariam à me encher.
- Droga! Perdi o ônibus!

sexta-feira, 3 de junho de 2005

Fazer valer à pena

Acordei com o despertador de meu celular - o meu radiorelógio, companheiro desde 99 deve estar com artrose ou qq coisa do tipo, pois parou de funcionar. A chuva lá fora me desanimava por completo, pensei mil vzs em não aparecer na aula, mas precisva entregar minhas duas matérias p/ Renata e tinha que pegar outra pauta - ossos do ofício.
Fiz meu café com ar de dúvida. "Quantas colheres de pó?". Minha mãe odeia café forte. Eu adoro!!! Fazer o que... uma só, +- cheia. Coloquei o pão na misteira como sempre. Escolhi uma roupa despreocupadamente - hj não precisava me arrumar.
A chuva parecia me sacanear: só aumentava!!!! E meu desanimo bem que seguia o exemplo.
Dei uma relida nas matérias. "Será que tem algum erro?"
"Ahr... o café ficou meio fraco. Tipo chafé. Blé!". Pelo menos, o pão ficou gostoso. Já as matérias... ah, deixa pra lá!
Santa Inês, como sempre, estava um caos e alagada até as fuças - dos moradores, claro.
Mas foi dentro do 507 - de lei - que alguma coisa me chamou a atenção.
Um caminhão de lixo estava parado ao nosso lado, e a chuva caía com toda a força. Mas os "lixeiros" - que trajavam uma capa amarlea - gritavam: "ê! ê! ê!". Daí me perguntei: "Logo hj, com uma chuva dessas, e que qq filho de Deus está pensando 'eu queria ganhar na loteria só pra não ter que trabalhar, ou pra pelo menos poder comprar um carro e não precisar mais andar de ônibus num dia desses'. Logo neste dia em que todos dariam tudo para estar na cama protegidos com seus cobertores, ou tomando um chocolate bem quentinho... Como eles poderiam estar tão alegres?"
Daí então me lembrei de uma frasezinha que ouvi não sei onde, e nem de quem: "Faça valer à pena". Foi quando refleti um pouco e pensei nas coisas que estavam acontecem comigo e percebi que lá no fundo eu poderia estar reclamando demais.
Preciso fazer valer à pena mais vezes. Assim como aqueles caras que tinham tudo para estar xingando a Patrícia Poeta e todos os deuses da chuva, mas faziam de tudo para tornarem seu trabalho mais prazeroso e divertido, assim como brincar na chuva!!
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No post passado eu dizia que estava um pouco sem estímulos para minha vida acadêmica. Agora posso dizer que esse estímulo pintou. Quando disse à minha mãe que sairia do estágio para me dedicar aos estudos, ela disse: "Duvido que vc consiga ficar muito tempo sem trabalhar". Pois mais uma vez ela acertou: Já consegui novo estágio. Agora faço parte da Contatus Comunicação e sou a mais nova assistente de comunicação. Trabalho menos e recebo mais. Era tudo o que eu queria. Sem contar que é bem perto da minha casa.
Se alguém quiser conhecer a empresa, visite: www.contatusnet.com.br
É isso aí!