quarta-feira, 31 de agosto de 2005

A espera... (não) À espera... (melhor) Em espera

Acordou assim, sentido um vazio. Sabia que havia desperdiçado uma grande chance no dia anterior. Tentava afastar esses pensamentos depressivos de sua cabeça. Talvez as asneiras que fizera naquela terça-feira não seriam tão prejudiciais. "Essa não foi a primeira, nem será a última chance da minha vida". Procurava repetir frases positivas várias vezes, tentando gravá-las em sua mente para afastar os maus agouros. "Outras chances virão!!" Mas quando parecia que já havia esquecido, que boas sementes estavam germinando no seu coração, palavras ruins surgiam como os ventos fortes de inverno: "Você fez tudo errado: usou as palavras erradas, trocou os nomes das pessoas, usou muitos adjetivos e esqueceu sujeitos e verbos. Colocou crases onde não deveria e virgulas onde não existiam. Em outros casos, as retirou quando elas deveriam permanecer". "Eles vão me aceitar, eu sei". Fez como no vestibular, dois anos antes, quando escreveu "EU VOU PASSAR" em um pedaço de papel e o colocou na sua frente, em cima da mesa de estudos. Só que dessa vez as palavras eram: "VÃO ME CHAMAR". As escreveu bem grande, em vários pedaços de papel e os espalhou pela casa. Precisava se convencer. E assim foi durante todo o dia: ora se sentia motivado e confiante, ora tinha certeza que não estava na lista dos convocados. Depois, outro dilema: "Eu ligo e pergunto, ou espero que me liguem?" Precisava de uma resposta, queria saber se realmente havia se saído tão mal. Só que, ao mesmo tempo que esperava o telefone tocar, não queria que ele tocasse. "E se me ligarem para dizer que eu não sirvo??" As horas passavam e já não sabia o que fazer. As unhas estavam ruídas ao máximo, a geladeira já estava vazia. Na despensa, todos os doces e balas que sua mãe estava estocando para o natal de repente sumiram. O que fazer? "E se eu mesmo ligar? Não, melhor não". Pensou em sair de casa e se distrair, entretanto logo afastou essa idéia da cabeça, pois poderiam ligar e não haveria ninguém ali para atender. Melhor: "vou dormir. Quem sabe esqueço??". E assim o fez. Pegou o telefone e o colocou na cabeceira para garantir que iria acordar caso ele tocasse. Gastou umas duas horas, até que pegou no sono. Finalmente havia relaxado. Mesmo que por apenas alguns minutos.

Continua...

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

Anita em... Entrevidos

A cidade grande parece encurtar os espaços reservados às crianças. O número de praças ou lugares onde elas possam correr, pular, brincar de pique-pega, esconde-esconde e soltar pipas estão cada vez mais escassos. Hoje, elas ficam trancadas dentro dos apartamentos, olhando o movimento da rua e a poluição pelo vidro da janela, ou presas nos minúsculos parquinhos dos condomínios, enchendo o saco dos adultos com seus gritos estridentes. E para fugir dessa rotina, algumas crianças arrumam maneiras de não se sentirem tão sozinhas e longe da natureza.

Certo dia, Anita trouxe para casa um pequeno cachorrinho que havia encontrado no parquinho de 16m² do condomínio. "Fique quietinho, Didi. Ou você quer que a Eudenice ouça a gente?". Tão rápida quanto o menino Flecha, aquele dos Incríveis, correu até seu quarto, sem que a babá os visse. "Pronto Didi. Fique aqui no meu guarda-roupas. Em silêncio!! Vou buscar alguma coisa pra você comer. Mais tarde falaremos com a mamãe. Tenho certeza que ela vai adorar ter um cachorrinho lindo como você".
_*_*_*_*_*_*_*_

- Nem Pensar!!
- Por que não?
- Porque um apartamento não é lugar para um cachorro morar.
- Como não? A Dona Mariquinha, do 708, tem três. Oras, qual o problema de termos um?
- A Dona Mariquinha tem três, é verdade. Mas o síndico já está providenciando a retirada desses animais. Pois eles são muitos barulhentos. Além do mais, eles fazem muita sujeira, nos dão muitos gastos e roem tudo o que vêem pela frente. Por isso, não podemos ter um.
- Mas o síndico não vai saber. Eu prometo! O Didi não vai dar tanto trabalho. Olha como ele é quietinho?
- Didi. Largue o chinelo do papai!! Pare de correr sobre o sofá!!! Não! Não suba em cima da mesinha!!!
- Hehehe... Viu?
- Ahã. Por isso mesmo não queremos um cachorro dentro de casa.
- Eu vou falar com o papai. Ele vai adorar ficar com o Didi. Ele mesmo já me falou que tinha um cachorrinho quando era criança.
_*_*_*_*_*_*_*_

- Aaaaaaatchiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmm!
- Então? O que acha?
- Tira esse ani..., ani..., aaaatchiim! Esse animal daqui!!!! Aatchim!
- Mas por quê??
- Porque aaaaaaaaaatchim! Eu tenho alergia a pelo de animais!
- Você disse que tinha um cachorro quando era criança!
- Mas isso foi antes da minha primeira crise alér..., alér.... aatchim! Alérgica. Já falei para tirar esse bicho fedorento daqui!!
- Fedorento não! Eu dei banho nele.
- Anita, coloque-o na varanda enquanto conversa com seu pai, por favor.
- Tá bom... Isso!! Vamos deixá-lo na varanda?
- NÃO!!!
- Anita, minha filha. Nosso apartamento é muito pequeno para termos um animalzinho como o Didi. Que tal se você escolhesse um outro? Que não solte pelos, de preferência.
- Mas pai, o Didi é tão bonitinho. Eu gosto tanto dele.
- Eu sei que você gosta. Mas enquanto ele estiver aqui, o papai não ficará bem.
- Você já é uma mocinha, é claro que entende seu pai, não é querida?
- Tá bom! Mas eu vou querer outro bichinho.
- Pode escolher o que você quiser. Amanhã levamos o Didi para um canil, e compramos outro bichinho. Qual você vai querer?
- Eu quero um... Um pato!
- Pato? Mas, por que um... Pato?
- Porque os patos são fofos, não fazem muito barulho e não soltam pelos.
- Não, não. Patos fazem barulho sim! Além disso, são muito nojentos. E depois, não temos um lago aqui. Onde ele vai nadar?
- É verdade. Então eu quero uma... Como é mesmo o nome? Uma i... i... Iguana! Igual a da Carol.
- Uma iguana?? Eu havia pensado em um peixinho??
- Você disse que eu poderia escolher "o que eu quisesse, desde que não soltasse pelos"!
- Disse sim. E quis dizer também "que seja pequenino, barato, limpinho e silencioso".

_*_*_*_*_*_*_*_
- E aí? Como foi?
- É.
- É? É o quê?
- É um peixinho. Sonso, colorido, pequeno, e chato.
- É chato, mas não solta pelos.
- E também não corre atrás da bolinha.
- E nem arranha os móveis, nem sobe no sofá... Você já deu um nome pra ele?
- É ela.
- Ah... é ela? Que bom... Como vai se chamar?
- Judite.
- Judite...Que nome lindo!
- Viu? Não disse que sua mãe ia gostar? Agora vai, leva a Judite para passear. Mostre a casa para ela.
- De que adianta? Ela não vai sair daqui de dentro mesmo?
- Mas ela vai ficar observando tudo daí de dentro do aquário.
- Isso me parece familiar.
- Como assim, filha?
- Acho que sei exatamente como a Judite se sente.

sexta-feira, 19 de agosto de 2005

Fogos para comemorar!

Pow, pân, poft, plam
Batam palmas, sorriam. Alegria, alegria! Quem foi que disse que Agosto não é um mês de festas???

Esse post é para comemorar o 1º aniversário da minha "Aquarela".
Na verdade, desta 'aquarela', porque o blog mesmo foi criado bem antes - não lembro quando, nem o outro endereço.
Bom, mas o que tenho a dizer?
A princípio, como não conseguia satisfazer às minhas espectativas, entrei em crise. Pensei muitas vezes em desitir, pois eu não conseguia encontrar um endereço que me agradasse. Tentei o weblogger, o blig, e finalmente, o blogger.
Então, somente depois de muito tentar me adaptar aos diversos posts, ou à arte de postar, foi que eu consegui fazer um par quase perfeito com este último. Quase perfeito porque eu ainda preciso aprender a fazer algumas coisas aqui, por exemplo, como colocar links, ou como mudar a kra da minha aquarela, já que não me dou muito com os templates que existem por aí.

Eu adoro o preto, mais a ausência de cores parece destoar do nome. Por isso, estou meio que em uma nova crise. Acho que é a data. Dizem que os aniversários costumam fazer isso, e estou um pouco sem saber que rumo tomar. Não sei se continuo aki, ou se me mudo para um lugar mais amigável e mais somples de postar.... NÃO SEI!!

A única coisa que posso afirmar é que essa aquarela me trouxe cor e alegria e, principalmente, foi um ótimo espaço para colorir meus momentos de criatividade.

É isso!!

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

You learn

Hoje só tenho umas coisas a dizer... por mais triste q eu esteja, sei que a vida tem muito a me ensinar. E eu estou aprendendo. Eu juro que sim!

"You live you learn
You love you learn
You cry you learn
You loose you learn
You bleed you learn
You scream you learn"
You learn - Alanis Morissette