Tinha prometido a mim mesma que não falaria sobre isso, mas não dá. É impossível não comentar sobre o assunto. Os jornais e as TV's me fazem lembrar, e até os blogs que eu visito.
A Teresa quis apostar que se um avião caísse hoje, os jornais deixariam de falar sobre o caso Isabella Nardoni. Bom, disse que não apostaria com ela, e tentei explicar porque.
Então resolvi postar minha teoria sobre a repercussão que a morte da menina de 5 anos tomou na imprensa brasileira.
Eis meu comentário:
"Com minha pequena vasta experiência em polícia (afinal, trabalhei e trabalho em mídias em que a Polícia é o carro chefe - e agora trabalho literalmente na editoria de polícia) digo que realmente, existem várias, centenas de mortes diariamente em todo o país. E nem em todas elas a mídia dá tanta repercussão.
Mas vou enumerar alguns motivos para isso:
1- O crime foi bárbaro;
2- Contra uma criança;
3- A família é de classe média;
4- O pai e a madrasta da menina são os acusados;
5- O homicídio já está banalizado nas periferias, e já não causa tanta comoção nas pessoas, uma vez que geralmente é cometido contra jovens e adultos envolvidos com o crime.
Por isso, infelizmente, casos como o de Isabella causam tanta comoção nas pessoas e tomam a proporção que têm hoje.
É um saco ir dormir depois de ver um Fantástico inteiro em que todos os blocos falavam sobre o assunto, que trouxe uma entrevista com os pais da menina (que não me enganaram por sinal), e no café da manhã do dia seguinte ligar a TV e ver Ana Maria Braga falando as mesmas coisas ditas na noite anterior.
Infelizmente, fatos como esse dão Ibope. E, mais do que esperar que o caso seja solucionado, as emissoras e os jornais querem mesmo é vender, chamar atenção.
E esse é o 6º motivo para o assunto já ter virado novela nos jornais, e a cada dia ser dado um novo capítulo: Casos como o crime do Edifício London vendem jornal, dão Ibope.
Bom, não vou apostar, mas garanto que a Isabella ficaria sim, um pouco esquecida (caso caísse mais um avião em São Paulo), mas eles não deixariam de falar sobre ela, afinal, as pessoas ainda querem saber (será mesmo?) que fim isso terá.
Se é que haverá um fim".