domingo, 25 de setembro de 2005

Para relembrar

Desceu as escadas correndo. Quase caiu, é verdade, mas não titubeou. Queria rever aquele lindo pôr-do-sol, como na infância. Passou pelas mesmas esquinas que antes. As pessoas já não eram mais as mesmas; estavam mudadas. Tinham crescido, envelhecido. Seu rosto também já possuía sinais do tempo, mas isso não a abalava. Tinha um desejo, e queria cumpri-lo. Seguiu seu caminho, percorrendo toda a rua. Essa não foi a pior parte. Problema foi encarar a ladeira até o topo do morro. Sobe, sobe, sobe. Mas cadê mesmo o topo? Não seria pra lá? Ou pra cá? Não era ali mesmo. Percebeu que não eram apenas as pessoas que mudavam. Os ambientes também mudam. Pena que pra pior. Ela imaginava, mas não queria acreditar que seu bairrozinho tão bucólico já havia se transformado em um lugar digno de uma cidade grande. Ficou triste. Mal podia ver o céu. As construções a impediram de contemplar os raios alaranjados do entardecer. Sem acreditar que subira todo aquele morro - que agora lhe parecia muito maior - para se encontrar com a natureza e que, na verdade, acabou por se deparar com o concreto. Mesmo assim permaneceu ali, parada. Deixou uma lágrima cair em seu rosto. Sentiu o vento soprar em seu ouvido. Mas uma coisa lhe chamou a atenção: em uma daquelas casas enormes havia um menino. E ele olhava para o céu com tanta felicidade que a deixou emocionada. Agora, mesmo sem ter visto o sol desaparecer, já não estava assim tão triste, pois havia alguém ali que todas as tardes, assim como ela o fazia, esperava o sol tocar o chão. E foi dessa forma que recordou sua infância: ao olhar o sorriso daquela criança que também se alegrava com a despedida do sol e a chegada da lua.
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Disse no post anterior que continuaria aquela história, mas queria escrever outra coisa no momento. Outro dia prosigo de onde parei. Fuiz!...

2 comentários:

Anônimo disse...

gata.
uma vez uma mulher no ônibus me falou que na cidade era tudo muito concreto.
e eu adoro o sentido que as palavras podem dar.
é tudo concreto... é tudo duro, impermeável, mas esse concreto acaba escondedo o "concreto" de fato. o mundo real está atrás dos prédios altos e de vidros fumê. atrás dos ônibus seletivos, atrás dos tribunais e ministérios e de uma ponte qualquer.

um beijo. amo vc!
Renata (ainda nao consigo comentar com meu login! bosta)

Elisa disse...

Dá uma nostalgia mesmo pensar em como as coisas ficam cada vez mais "concretas" e os vestígios da nossa infância vão se apagando. Mas nem nos damos conta que o que pra gente perdeu a graça, pra outra geração é motivo de encantamento.
Bjokas!
E vou continuar querendo saber o final da outra história...